sexta-feira, junho 24, 2005

as palavras que não disse...

Ontem falaste comigo... contaste-me , desabafaste a tua angústia, o teu olhar sem brilho, mas sempre com um sorriso. Não estive à tua altura, ouvi-te em silencio, balbuciei algumas frases vazias, porque doeu-me ouvir-te, porque te admiro, porque és mais uma estrelinha que conquistei na estrada da minha vida...

Para ti meu querido...

Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapo e me oferecesse mais um pouco de vida, não diria tudo o que penso, mas pensaria tudo o que digo. Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam. Dormiria pouco, sonharia mais, entendo que por cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os outros param, acordaria quando os outros dormem. Ouviria quando os outros falam, e como desfrutaria de um bom gelado de chocolate! Se Deus me oferecesse um pouco de vida, vestir-me-ia de forma simples, deixando a descoberto, não apenas o meu corpo, mas também a minha alma. Meu Deus, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperava que nascesse o sol. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre as estrelas de um poema de Benedetti, e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à lua. Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos seus espinhos e o beijo encarnado das suas pétalas... Meu Deus, se eu tivesse um pouco de vida... Não deixaria passar um só dia sem dizer às pessoas de quem gosto que gosto delas. Convenceria cada mulher ou homem que é o meu favorito e viveria apaixonado pelo amor. Aos homens provar-lhes-ia como estão equivocados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar! A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas teria que aprender a voar sozinha. Aos velhos, ensinar-lhes-ia que a morte não chega com a velhice, mas sim com o esquecimento. Tantas coisas aprendi com vocês, os homens... Aprendi que todo o mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a encosta. Aprendi que quando um recém-nascido aperta com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo do seu pai, o tem agarrado para sempre. Aprendi que um homem só tem direito a olhar outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a levantar-se. São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas não me hão-de servir realmente de muito, porque quando me guardarem dentro dessa maleta, infelizmente estarei a morrer...
GABRIEL GARCIA MARQUEZ

Ps: Estou mesmo atrás, Henrique...

sexta-feira, abril 01, 2005

o nosso arco-íris...

Hoje, é um dia particularmente triste para mim.
Existem pessoas que ao longo da nossa vida nos marcam de uma forma tão forte e vão desaparecendo transformando-se em sombras... Continuamos a lembrarmo-nos delas em dias melancólicos, quando deitadas olhamos as nuvens e pulamos para a longa-metragem da nossa película... rimos, choramos ao recordarmos... mas estamos realmente mais vazias...
Há muito tempo atrás quando deixei o Colégio, tenho uma imagem colada na minha visão acompanhada com a angústia sentida ao olhar para trás, para aquela sala de aula de cinco anos e ver as carteiras de pernas para o ar... Nunca mais ia voltar...


Dedico a ti, a ti e a ti que me fizeram e vão continuar a fazer aquilo que sou...

segunda-feira, março 28, 2005

três passos...

para ti...

Avião sem asa, fogueira sem brasa
Sou eu assim sem você
Futebol sem bola. Piu-Piu sem Frajola
Sou eu assim sem você

Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
Vão poder falar por mim

Amor sem beijinho,
Buchecha sem Claudinho
Sou eu assim sem você
Circo sem palhaço, namoro 'amasso'
Sou eu assim sem você
To louco pra te ver chegar
To louco pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço, retomar o pedaço
Que falta no meu coração

Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo Porque? Pooooooorque?

Neném sem chupeta, Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você
Carro sem estrada, queijo sem goiabada
Sou eu assim sem você

Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
Vão poder falar por mim

Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo


Adriana Calcanhoto


sem ti não existo mesmo...

The end.

domingo, março 27, 2005

dois passos...

Há quem compre souvenirs, peças de artesanato, uma artesanato regional ao pacote, nós? Nós levamos sempre um pedaço da natureza espacial, uma oferenda da mesma, uma simples folha caída, uma flor que findou a sua passagem nesta fauna fugidia e de um temporal findo... na nossa cabana de madeira, no meio da mãe-natureza foi-nos deixado, numa noite de lua cheia com um céu abrilhantado pelo baile de estrelas, três folhas de eucalipto, encantadas que saltaram para o nosso Diário de pequenas palavras, com o seu aroma encantado...

sábado, março 26, 2005

um passo...

... com o aroma a especiarias, a presença árabe na nossa inconsciência nas ruas que percorríamos, os vestígios de uma aldeia que no peso dos seus ombros vive os feitos de povos de outrora. Nesta descoberta sentida, deparámos com um sítio perdido na história, por seu nome Café da Sé. Com alguma distância no olhar, olhar lusitano, ausente, numa mesa redonda, povos oriundos da terra de Carlos V, os bárbaros de um temporal distante, jogam o jogo mais velho do mundo, o divertimento que ruiu com o capitalismo. Do nosso lado esquerdo, os países-baixos representados, um casal com as suas "bíblias", devoram as letras de sonhos jamais imaginados.
A circunferência de painéis envolvem o nosso corpo, que nos fazem transpirar a nossa imaginação... Estaremos em terras portuguesas com tantos mercadores à nossa volta? Estamos decididamente em terras lusitanas...

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

momentos...

momentos

os meus melhores momentos são espaços
entre a bruma e as árvores
quando azul do céu fica suspenso
em toda a nossa interrogação
sobre as coisas e as palavras com rostos de gentes
são os segundos milimétricos dos sentidos
que mergulham a existência no supremo das copas das árvores
que é uma metáfora da água festiva que bebe o meu corpo
em sílabas escritas decompondo o vulgar na excelência do tempo
é o percurso dessa palavra como axioma do mistério
que liberta os cavalos brancos de um silêncio que é toda a espera da descoberta
do ainda novo futuro
esses momentos são olhares para lá e para dentro
que abrem a poesia como janela aberta da Primavera
numa manhã nunca sonhada
todo o momento que uso não me pertence
mas de quem é o tempo?

Constantino Alves

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sábado, fevereiro 19, 2005

As mãos pressentem...


As mãos pressentem...

As mãos pressentem a leveza rubra do lume
repetem gestos semelhantes a corolas de flores
voos de pássaro ferido no marulho da alba
ou ficam assim azuis
queimadas pela secular idade desta luz
encalhada como um barco nos confins do olhar
ergues de novo as cansadas e sábias mãos
tocas o vazio de muitos dias sem desejo e
o amargor húmido das noites e tanta ignorância
tanto ouro sonhado sobre a pele tanta treva
quase nada


Al Berto