Sábado, Fevereiro 19, 2005

As mãos pressentem...


As mãos pressentem...

As mãos pressentem a leveza rubra do lume
repetem gestos semelhantes a corolas de flores
voos de pássaro ferido no marulho da alba
ou ficam assim azuis
queimadas pela secular idade desta luz
encalhada como um barco nos confins do olhar
ergues de novo as cansadas e sábias mãos
tocas o vazio de muitos dias sem desejo e
o amargor húmido das noites e tanta ignorância
tanto ouro sonhado sobre a pele tanta treva
quase nada


Al Berto

1 Comments:

Blogger SalsolaKali said...

Ainda bem que voltas-te.
Estava-me a sentir um pouco só nesta imensidão meio crua e a preto e branco.
É como se de repente os outros navios tivessem partido para parte incerta, numa manhã de denso nevoeiro e céu carregado.
Souberam-me bem as tuas palavras.
Al Berto é uma referência, e é tanta a verdade que li, que não consegui impor-me. Invadiu-me este sentir, algo que disfarço e apago pelo tempo, um “vazio de muitos dias sem desejo e o amargor húmido das noites e tanta ignorância, tanto ouro sonhado sobre a pele, tanta treva, quase nada”
Mas as mãos pressentem tanto, “a leveza rubra do lume” e não há verdade mais absoluta.
BJ GR
SK

6:04 PM  

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