Quarta-feira, Fevereiro 23, 2005

momentos...

momentos

os meus melhores momentos são espaços
entre a bruma e as árvores
quando azul do céu fica suspenso
em toda a nossa interrogação
sobre as coisas e as palavras com rostos de gentes
são os segundos milimétricos dos sentidos
que mergulham a existência no supremo das copas das árvores
que é uma metáfora da água festiva que bebe o meu corpo
em sílabas escritas decompondo o vulgar na excelência do tempo
é o percurso dessa palavra como axioma do mistério
que liberta os cavalos brancos de um silêncio que é toda a espera da descoberta
do ainda novo futuro
esses momentos são olhares para lá e para dentro
que abrem a poesia como janela aberta da Primavera
numa manhã nunca sonhada
todo o momento que uso não me pertence
mas de quem é o tempo?

Constantino Alves

xxxxxxxxxxxx

Sábado, Fevereiro 19, 2005

As mãos pressentem...


As mãos pressentem...

As mãos pressentem a leveza rubra do lume
repetem gestos semelhantes a corolas de flores
voos de pássaro ferido no marulho da alba
ou ficam assim azuis
queimadas pela secular idade desta luz
encalhada como um barco nos confins do olhar
ergues de novo as cansadas e sábias mãos
tocas o vazio de muitos dias sem desejo e
o amargor húmido das noites e tanta ignorância
tanto ouro sonhado sobre a pele tanta treva
quase nada


Al Berto